Regulação e compliance
Prontuário psicológico digital: o que a CFP exige e como organizar o seu
Guia prático sobre prontuário psicológico digital: campos obrigatórios segundo a CFP Res. 001/2009, boas práticas de documentação e como escolher um sistema adequado.
Por Equipe UseCognia · Atualizado em 2026-09-17 · 8 min

Manter um prontuário psicológico em papel ou planilha representa risco real: perda de dados, dificuldade de acesso em fiscalizações e ausência de campos que o Conselho Federal de Psicologia exige. Com o crescimento do atendimento online e do volume de pacientes, a migração para o prontuário psicológico digital deixou de ser uma conveniência e passou a ser parte do exercício ético e regulatório da profissão.
Este guia apresenta o que a CFP determina sobre documentação clínica, quais campos o sistema precisa ter e quais critérios usar ao escolher um software de prontuário para psicólogos.
O que a CFP Res. 001/2009 determina sobre o prontuário
A Resolução CFP nº 001/2009 (com alterações da Res. 05/2010) regulamenta a prestação de serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos, mas também consolida entendimentos sobre a guarda e o conteúdo do prontuário psicológico. Já a CFP Res. 06/2019 define os documentos psicológicos — declaração, atestado, relatório e laudo — com requisitos próprios para cada um.
Em conjunto, essas normas estabelecem que o prontuário deve conter o registro suficiente para reconstruir o processo de avaliação e acompanhamento do paciente, identificar o profissional responsável por cada registro e garantir sigilo e integridade das informações ao longo do prazo de guarda.
Campos obrigatórios do prontuário psicológico digital
Identificação do paciente: nome completo, data de nascimento, contato e, quando aplicável, dados do responsável legal. Em atendimento online, registre também a localidade e o tipo de plataforma utilizada.
Demanda e queixa principal: registro do motivo pelo qual o paciente procurou atendimento, com suas próprias palavras quando relevante para o processo clínico.
Histórico clínico e anamnese psicológica: antecedentes relevantes, contexto familiar e social, tratamentos anteriores, uso de medicação e fatores de risco identificados na triagem.
Instrumentos aplicados e resultados: quando houver aplicação de escalas padronizadas (como PHQ-9, GAD-7, DASS-21), registre o instrumento, a data, o escore obtido e a interpretação clínica. Não reproduza os itens das escalas com direitos autorais — registre o resultado e a conclusão.
Evolução de cada sessão: data, conteúdo trabalhado, observações clínicas relevantes, conduta adotada e eventuais intercorrências. Evite registros genéricos; a evolução precisa ser suficiente para sustentar o raciocínio clínico documentado.
Hipótese diagnóstica e formulação clínica: quando aplicável, a abordagem teórica adotada, a hipótese diagnóstica e os objetivos do processo terapêutico.
Documentos psicológicos emitidos: cada declaração, atestado, relatório ou laudo deve seguir os requisitos da CFP Res. 06/2019 e ficar arquivado vinculado ao prontuário do paciente.
Identificação profissional: cada registro deve identificar o psicólogo responsável com nome completo e número de inscrição no CRP.
Critérios para escolher um software de prontuário psicológico
O sistema precisa ter campos próprios para psicologia, não apenas um editor de texto genérico. Campos de evolução estruturada, aplicação de escalas com pontuação automática e templates para documentos conforme CFP Res. 06/2019 fazem diferença no dia a dia.
Verifique também a conformidade com a LGPD: dados psicológicos são dados sensíveis de saúde (art. 11 da Lei 13.709/2018) e exigem medidas técnicas específicas de proteção, controle de acesso e registro de operações.
Praticidade operacional também importa: agenda integrada ao prontuário, acesso pelo celular durante a sessão e exportação de dados em formato legível reduzem o tempo administrativo e aumentam a consistência dos registros.
Como o UseCognia organiza o prontuário psicológico digital
O UseCognia foi desenvolvido com os campos e fluxos específicos da psicologia clínica: evolução estruturada por sessão, 25+ escalas com pontuação automática e gráficos de evolução, templates de documentos segundo a CFP Res. 06/2019 e IA que gera rascunhos de evolução para revisão do profissional — nunca como conduta autônoma.
O sistema é compatível com LGPD para dados sensíveis de saúde e funciona em qualquer dispositivo, permitindo registro durante ou logo após a sessão. Se você quer ver como funciona na prática, acesse a página de psicólogos e comece gratuitamente com até 10 pacientes, sem cartão de crédito: usecognia.com.br/psicologos
Perguntas frequentes
O prontuário psicológico pode ser 100% digital?
Sim. A CFP admite prontuário eletrônico desde que garantidos sigilo, integridade dos dados, identificação do profissional em cada registro e acesso do paciente quando solicitado. O sistema utilizado deve adotar medidas compatíveis com a LGPD para dados sensíveis de saúde.
Quanto tempo devo guardar o prontuário psicológico?
A orientação do CFP é de guarda por pelo menos cinco anos após o encerramento do processo. Para menores de idade, o prazo começa a contar a partir da maioridade. Verifique também eventuais exigências do plano de saúde ou instituição onde atua.
Uma IA pode escrever a evolução do paciente?
Não de forma autônoma. O registro no prontuário é responsabilidade exclusiva do psicólogo habilitado. Ferramentas de IA podem gerar rascunhos para que o profissional revise, corrija e assine — mas o conteúdo final precisa refletir a decisão clínica do psicólogo, conforme a CFP Res. 001/2009.
Checklist rápido
- ✓ Registrar identificação completa do paciente na abertura do prontuário
- ✓ Documentar a demanda e queixa principal com as palavras do paciente quando relevante
- ✓ Preencher anamnese com antecedentes clínicos, contexto familiar e fatores de risco
- ✓ Registrar instrumentos aplicados com escore e interpretação — sem reproduzir itens protegidos
- ✓ Preencher evolução a cada sessão com conduta e observações clínicas objetivas
- ✓ Arquivar documentos psicológicos emitidos vinculados ao prontuário
- ✓ Assinar cada registro com nome completo e número de inscrição no CRP
- ✓ Verificar se o sistema adota medidas de proteção compatíveis com a LGPD para dados sensíveis
Fontes consultadas
- Resolução CFP nº 001/2009 — prestação de serviços por meios tecnológicos — Conselho Federal de Psicologia
- Resolução CFP nº 06/2019 — elaboração de documentos psicológicos — Conselho Federal de Psicologia
- Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)
Conteúdo informativo. Não substitui orientação profissional individual.