Regulação e compliance
Prontuário fisioterapêutico digital: campos obrigatórios da COFFITO Res. 414/2012
Guia prático sobre prontuário fisioterapêutico digital: o que a COFFITO Res. 414/2012 exige, quais campos não podem faltar e como escolher um sistema adequado para fisioterapeutas.
Por Equipe UseCognia · Atualizado em 2026-09-17 · 8 min

Muitos fisioterapeutas ainda registram suas evoluções em planilhas, fichas em papel ou sistemas de prontuário médico adaptados. Esses formatos não contemplam campos específicos da fisioterapia — como o diagnóstico cinesiofuncional e o quantitativo provável de atendimentos — e podem deixar lacunas importantes em uma fiscalização do CREFITO ou em um processo ético.
A COFFITO Res. 414/2012 estabelece a estrutura mínima do prontuário fisioterapêutico e determina que ele pode ser físico ou eletrônico. Este guia detalha o que o sistema precisa ter, quais campos costumam ser omitidos e como escolher um software de prontuário adequado para fisioterapeutas.
Por que o prontuário fisioterapêutico exige campos específicos
O prontuário médico genérico foi desenvolvido para registrar diagnóstico nosológico, prescrição e evolução clínica. O raciocínio fisioterapêutico é diferente: parte da semiologia físico-funcional, chega ao diagnóstico cinesiofuncional, define objetivos terapêuticos, estima o número de sessões e registra a evolução funcional a cada atendimento.
Um sistema sem esses campos força o fisioterapeuta a improvisar — registrar o diagnóstico cinesiofuncional em campo de 'observações' ou omitir o quantitativo de sessões porque não há onde colocar. Essas omissões são exatamente o que os conselhos regionais verificam em fiscalizações.
O que a COFFITO Res. 414/2012 exige no prontuário
Identificação do paciente: dados completos de identificação, atualizados a cada período de tratamento.
Anamnese fisioterapêutica: queixa principal, história do problema atual, antecedentes pessoais e familiares, hábitos de vida e tratamentos anteriores relevantes para a conduta.
Avaliação pela semiologia fisioterapêutica: achados objetivos do exame físico — goniometria, testes ortopédicos, avaliação postural, força muscular, mobilidade, equilíbrio, marcha e escalas de dor, com valores, lateralidade e condições de teste quando relevantes.
Diagnóstico cinesiofuncional: campo obrigatório e privativo do fisioterapeuta. Documenta as alterações de movimento, função e desempenho identificadas na avaliação. É distinto do diagnóstico médico e deve constar separadamente no prontuário.
Prognóstico fisioterapêutico: estimativa de evolução funcional com base nos achados, considerando limitações e potencial de recuperação.
Plano de tratamento e objetivos: procedimentos, recursos e técnicas propostos, cada um relacionado a objetivos terapêuticos mensuráveis.
Quantitativo provável de atendimentos: campo específico da fisioterapia, frequentemente ausente em sistemas genéricos. A estimativa pode ser revisada, mas alterações devem ser justificadas no prontuário.
Evolução em cada sessão: registro da condição apresentada, procedimentos realizados, evolução físico-funcional e eventuais intercorrências. Evite descrições genéricas como 'sessão sem intercorrências'.
Alta fisioterapêutica: desfecho do tratamento, objetivos alcançados ou pendentes, orientações fornecidas e encaminhamento quando indicado.
Identificação profissional: nome completo e número de inscrição no CREFITO em cada registro.
Critérios para escolher um software de prontuário fisioterapêutico
O sistema precisa ter campos separados para diagnóstico cinesiofuncional, quantitativo de atendimentos e evolução estruturada por sessão. Se esses campos não existirem nativamente, o profissional acaba anotando em campos livres ou omitindo informações.
Para clínicas que trabalham com pacotes de sessões, o controle financeiro integrado ao prontuário evita desencontros entre o registrado clinicamente e o cobrado. Confirme também se o sistema permite exportar os dados do paciente em caso de migração ou auditoria.
Conformidade com a LGPD é obrigatória: dados fisioterapêuticos são dados sensíveis de saúde. Verifique se o fornecedor oferece criptografia, controle de acesso e política de privacidade compatível com a Lei 13.709/2018.
Como o UseCognia organiza o prontuário fisioterapêutico digital
O UseCognia tem campos específicos para fisioterapia: diagnóstico cinesiofuncional separado do diagnóstico médico, quantitativo provável de atendimentos por paciente, escalas de avaliação funcional (Tinetti, Berg, Escala de Equilíbrio) com gráficos de evolução, e registro estruturado de evolução por sessão.
A IA do sistema pode gerar rascunhos de evolução para revisão do fisioterapeuta — nunca como conduta autônoma. O plano de tratamento, o diagnóstico cinesiofuncional e a conduta são sempre de responsabilidade do profissional habilitado, conforme a COFFITO Res. 414/2012. Acesse a página de fisioterapeutas e comece gratuitamente com até 10 pacientes: usecognia.com.br/fisioterapeutas
Perguntas frequentes
O diagnóstico cinesiofuncional é obrigatório no prontuário fisioterapêutico?
Sim. A COFFITO Res. 414/2012 exige o registro do diagnóstico cinesiofuncional como campo próprio do prontuário. Ele identifica as alterações de movimento e função que fundamentam a conduta fisioterapêutica e é distinto do diagnóstico médico.
Posso usar prontuário eletrônico como fisioterapeuta?
Sim. A resolução admite prontuário físico ou eletrônico, desde que garantidos sigilo, integridade dos dados e identificação do profissional vinculada a cada registro. O sistema deve ser compatível com a LGPD para dados sensíveis de saúde.
O que acontece se o prontuário não tiver o diagnóstico cinesiofuncional?
Em uma fiscalização do Sistema COFFITO/CREFITO ou em processo ético, a ausência do diagnóstico cinesiofuncional impede relacionar os achados da avaliação às condutas adotadas. Isso pode ser interpretado como documentação inadequada, com consequências disciplinares para o profissional.
Checklist rápido
- ✓ Registrar identificação completa do paciente e atualizar a cada período de tratamento
- ✓ Documentar a semiologia fisioterapêutica com valores objetivos e lateralidade
- ✓ Registrar o diagnóstico cinesiofuncional antes de iniciar o plano de tratamento
- ✓ Incluir o quantitativo provável de atendimentos e justificar revisões no prontuário
- ✓ Preencher a evolução com condição apresentada, procedimentos e resultado a cada sessão
- ✓ Registrar a alta com desfecho, objetivos alcançados e orientações fornecidas
- ✓ Assinar cada registro com nome completo e número de inscrição no CREFITO
- ✓ Verificar conformidade LGPD do sistema para dados sensíveis de saúde
Fontes consultadas
- Resolução COFFITO nº 414/2012 — Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional
- Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)
Conteúdo informativo. Não substitui orientação profissional individual.